Valdenice Conceição tentará repetir em Tóquio sucesso de Isaquias na Rio-2016.

Na cidade das canoas, Ubaitaba (BA), o rio das Contas batizou Isaquias Queiroz, de 22 anos. Em 2005, na época em que o fenômeno baiano da canoagem começava a remar, ali perto, em Itacaré onde aquele rio deságua no mar, uma garota descobria o mesmo esporte.

Valdenice Conceição, 26, não foi ao Jogos do Rio em que seu conterrâneo obteve duas pratas e um bronze, tornando-se o primeiro brasileiro a ganhar três medalhas em uma edição da Olimpíada. Não havia provas para ela.

Para Tóquio-2020, porém, a baiana já é a maior aposta do país, justamente porque as provas femininas de canoa serão incluídas no programa. Coincidentemente, a disputa feminina do C1 200 m, especialidade de Valdenice, entra no lugar do C1 200 m masculino, no qual Isaquias foi bronze nos Jogos do Rio.

Valdenice Conceição (c) durante pódio no C1 200 m do Pan-Americano de canoagem
              Valdenice Conceição (c) durante pódio do Pan-Americano de canoagem Divulgação

“Vai ser uma troca boa, com certeza. Com trabalho sereno e o apoio, tenho condições de lutar por medalha. É a minha melhor prova. Estou confiante”, afirma Valdenice. A menina baiana descobriu a canoagem por diversão em Itacaré, onde nasceu e ainda mora. As remadas eram por “brincadeira, para tomar banho, entrar na água”.

Demorou um ano para, aos 13, entrar na escolinha que se transformaria na Associação de Canoagem de Itacaré.

“Eu nem sabia se levava jeito. Os campeonatos femininos começaram a ser disputados só em 2010”, diz.

Naquela época, Valdenice treinava ao lado de Isaquias. Hoje, o técnico dela é Figueroa Conceição, o mesmo que treinou o medalhista olímpico no começo da carreira.

“Ela é forte candidata à medalha em Tóquio. Ganhou a primeira medalha da canoa feminina em um Mundial, já tem seis medalhas em etapas de Copa do Mundo. É a Isaquias mulher”, diz Figueroa.

O currículo não é tão recheado de conquistas como o de Isaquias, campeão mundial júnior e sênior antes da Olimpíada, mas Valdenice faz sucesso internacionalmente. Ela foi bronze no Mundial de 2014 e sexta no de 2015. No Pan de Toronto-2015, ganhou o bronze. É dela também o primeiro ouro em uma etapa da Copa do Mundo, em maio deste ano, na República Tcheca, sempre no C1 200 m. Mesmo assim, Valdenice descarta comparação com Isaquias. Ao menos por enquanto. “Ele é um fenômeno, tem talento incrível. Eu sou uma veterana entre as meninas”, diz a baiana de 26 anos.

“Quem sabe no futuro, depois de Tóquio, posso dizer se sou igual a ele. Hoje digo que sou rápida como ele”, diz, rindo ao telefone.

Por enquanto, eles nem treinam juntos. Enquanto a elite da seleção brasileira de canoagem velocidade fica em Lagoa Santa (MG), a equipe feminina tem seu centro de treinamento em Curitiba (PR).

“Seria ótimo se também pudéssemos treinar em Lagoa Santa. Não sei se Jesús [Morlán] ia querer”, brinca a canoísta a respeito do rígido treinador espanhol.

Casada com o pintor Ezequiel, 38, mãe de Ismael, 10, e Cristiano, 5, Valdenice se divide entre a vida de dona de casa e de atleta. Passa metade do ano no Paraná e a outra metade na Bahia, onde não deixa de treinar. Na seleção, ela recebe ajuda financeira de cerca de R$ 3.000 via patrocínio do BNDES à Confederação Brasileira de Canoagem, além da Bolsa Atleta do governo federal no valor de R$ 1.850.

“Minha vida é devagar. É muito difícil. Agora, treinar com o objetivo de chegar à Olimpíada dá mais força, mas eu sei que não será fácil.”

RAIO-X

Nome completo: Valdenice Conceição do Nascimento

Nascimento: 16.out.1989 (26 anos), em Itacaré (BA)

Principais conquistas na categoria C1 200 m:

– Bronze no Mundial de 2014 e sexta em 2015

– Bronze nos Jogos Pan-Americanos de Toronto-2015

– Ouro no Pan-Americano de canoagem de 2016

– Ouro na etapa da República Tcheca da Copa do Mundo de 2016

Fonte: Jornal Folha de São Paulo


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