Muito além das praias de Itacaré.

Lar da maior parte da Mata Atlântica, na região sul da Bahia, Itacaré está localizada na região conhecida como Costa do Cacau. Isso significa que diferente dos principais cartões postais da Bahia, onde predominam dunas e falésias, em Itacaré é possível conhecer rios, mangues e cachoeiras. Além de experimentar todos os sabores do cacau, desde o fruto até as mais inusitadas geleias.

No meu primeiro dia em Itacaré, não tive como escapar do pôr do sol no Mirante do Xaréu. A Bahia me recebeu com um visual incrível e ao som do berimbau. O mirante, que fica no canto esquerdo da praia da Concha, é destino certo nos finais de tarde. As outras praias urbanas são Coroa, Resende, Costa, Ribeira e Tiririca, point dos surfistas e onde a galera pratica slackline. Itacaré é considerada um dos melhores pontos do Nordeste para a prática de surf. Outro pico é a Prainha, eleita uma das 10 praias mais bonitas do Brasil, cercada por coqueiros e mar aberto.

itacarezinho
Praia de Itacarezinho

A formação geológica tornou a região um dos destinos de ecoturismo mais procurados do país. As agências oferecem pacotes para prática de rafting, rapel, caiaque, mountain-bike e trekking, mas eu fugi de todas elas. Com o Erasmo (73 99975-0144), guia local que não trabalha vinculado a agência, naveguei de caiaque por 10 km no Rio de Contas. No percurso, paramos na Cachoeira do Cleandro e na Cachoeira do Engenho. Foi Erasmo também quem me acompanhou na trilha para a secreta Praia do Ciriaco. Deserta e escondida, com pouca areia e muitas pedras, o ideal é conhecê-la na maré baixa. O acesso é a 15 minutos de caminhada a partir da Ribeira, em um trajeto de vegetação densa, onde eu aprendi muito sobre a mata nativa. Na volta, o desafio do trekking nas pedras me ensinou que sempre tem caminho, basta olhar adiante.

Me encantei com Jeribucaçu. No canto direito da praia corre o Rio Jeribucaçu, que na maré baixa forma uma laguinho delícia. Dali, segui rumo a Cachoeira da Usina, passando por dentro do mangue. Foi uma experiência inesquecível. A trilha de volta, até a pista passa dentro de uma fazenda, onde roubamos cacau. É bom contratar um guia para esse passeio. Outra cachoeira, de mais fácil acesso, mas com entrada paga, é a Cachoeira do Tijuípe, com piscina natural.

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Cachoeira do Tijuípe

Para chegar nas praias mais afastadas do centro, pegamos carona até a entrada da trilha. Seguimos em direção à longa e deserta Itacarezinho, passando pelo Havaizinho, praia de recifes e ondas fortes, e pela pequena Camboinhas. Na volta, achamos uma queda d’água e já escurecia quando decidimos deixar Engenhoca pra outro dia. Voltei lá com um grupo de amigos para aproveitar o fim de tarde. O mar virou espelho d’água e eu não resisti ao riozinho no canto direito da praia.

Durante o dia, no centrinho, as rádios postes não economizam no reggae e a vida noturna em Itacaré é um capítulo à parte. Estilos musicais variados agitam a noite. Particularmente, eu me senti em casa no democrático e descolado Favela: chinelo no pé e música boa. A Pituba é a rua onde concentra-se o comércio. Tem muitas opções de artesanato e restaurantes, mas é bom pesquisar para não pagar muito caro. Eu tive o prazer de conhecer o Tempero do Cadinho, mais afastado do fervo. PF por R$10, comida gostosa com afeto e suco misto com as frutas sortidas do dia!

Para chegar em Itacaré, o aeroporto mais próximo é o Jorge Amado, em Ilhéus, que fica a 72 quilômetros de distância. Por Salvador, o caminho mais curto é o ferryboat até Itaparica e, de lá, seguir pela BA-001. A procura por Itacaré na alta temporada é grande. Na baixa, você encontra bons preços e mais tranquilidade. Itacaré é um destino tanto para quem quer paz ou agito. Mas, definitivamente, Itacaré é um lugar pra chamar de meu.

trilha Havaizinho
Trilha para chegar à praia de Havaizinho

Fonte: Nat no mundo*Caroline Ribeiro é jornalista por formação, assessora de imprensa por profissão e viajante como única opção. Ela colabora com o Nat no Mundo semestralmente


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