Imagem mostra futebol ao lado de vítimas de desabamento de ciclovia no Rio.

Dezenas de pessoas estavam ao redor dos dois corpos estendidos na areia de São Conrado. Havia um silêncio respeitoso enquanto a viúva do engenheiro Eduardo Marinho se despedia do marido, com a cabeça ensanguentada e o peito rasgado pelo embate nas pedras. Alguns choravam diante do inesperado, naquele feriado de sol no Rio que deveria ser de alegria. Com o passar dos minutos, a cena se tornou bizarra: garotos tiravam selfies em frente aos corpos, e uma roda de altinho logo se formou. Quem chegava à praia estendia cadeiras e guarda-sóis ao redor das duas vítimas. Foram três horas assim, com os corpos cobertos por cangas de praia.

altinho

Isso não é normal. Parece que estamos perdendo a sensibilidade. Tudo é banalizado hoje em dia, até a morte — afirma o médico aposentado Alexander Magalhães, morador de São Conrado.

Os corpos ficaram tanto tempo na areia, debaixo do sol quente, que a maré subiu até alcançá-los. As ondas levavam os cadáveres de um lado para o outro, enquanto curiosos paravam para registrar o momento e publicar nas redes sociais. O estudante Carlos Henrique Pereira, de 16 anos, praticante de bodyboard, foi à praia nos dois dias para aproveitar as ondas grandes. Mal viu os corpos no chão.

As mais de 5.000 curtidas do post do Padre Fabio encontraram eco nos comentários feitos na imagem que o fotógrafo Felipe Dana colocou em seu perfil do Facebook. Chocados, internautas lamentaram a “banalização da morte”, a “indiferença explícita” e “uma insensibilidade total em relação ao próximo”. (O Globo)

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