Favorita nas olimpíadas de 2020, atleta da canoagem de Itacaré faz vaquinha para competir.

Valdenice Conceição, 28, natural de Itacaré, conheceu a canoagem em 2003 por meio do seu irmão Vilson Conceição, medalhista no Pan de 2007. Desde então, a atleta se tornou Campeã panamericana, Campeã Baiana de 2009 a 2016, Campeã da Copa do Mundo em 2016, terceira melhor do mundo em 2014, terceira nos jogos Sul-americanos, também em 2014, e terceira no Pan de 2015. Currículo que inveja qualquer esportista. No entanto, a vida no esporte para ela é bem mais difícil do que se imagina. Buscando vaga nas Olimpíadas de Tóquio, em 2020, a atleta fez uma vaquinha para conseguir uma ajuda de custo para se manter no esporte e no dia a dia. “Foi uma intenção de conseguir um patrocínio, um apoio ou uma ajuda de custo na minha vida de atleta e principalmente na vida pessoal, pois tenho dois filhos e sempre tenho que parar de treinar para sustentá-los por falta de apoio no esporte. Às vezes viajo para as competições sem condição até para comer, mas com muita força de vontade eu vou”, disse.

Valdenice confessa que não esperava a inclusão das provas femininas de canoagem já nas Olimpíadas de 2020. “Eu não botava muita fé. Desde 2012 que a gente vinha lutando para poder competir numa olimpíada. A briga estava sendo muito grande, mas graças a Deus, com muita luta, conseguimos esse feito”. Agora, a atleta busca recursos para participar do Mundial na Hungria no próximo ano, que será a penúltima qualificatória para Tóquio, já que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) apoia mais a canoagem masculina. “Em 2019 acontece o Mundial na Hungria. A pessoa se classificando, o COB tem a responsabilidade de dar os devidos apoios e patrocínios para os atletas até 2020. O COB apoia muito a canoagem masculina, mas não a feminina”, lamenta.

A baiana se prepara também para disputar a Copa Brasil em Curitiba, competição que serve de seletiva para os jogos Sul-Americanos em Cochabamba, na Bolívia. Entretanto, continua treinando em condições ruins. “Eu acho a condição de treinamento precário. Eu não tenho uma estrutura boa. Nem barco, nem nada na Bahia. Eu cheguei sábado em Curitiba para remar a Copa Brasil que vai servir de seletiva para os jogos Sul-Americanos. Eu estava treinando em Itacaré com amigos, sem treinador, sem equipamento, sem a alimentação devida, sem nada. Na associação de canoagem precisa de ergômetro, barco, remos, mas infelizmente não temos”, enumera.

Segundo a mesma, o governo estadual nunca a procurou para oferecer algum tipo de apoio. “Atualmente estão ajudando em projetos de Centros de Treinamento, mas não ajudam os atletas diretamente. Não teremos uma estrutura de alto rendimento, só de base. Para mim não seria bom, só para quem está começando a carreira”.

Valdenice tenta seguir os passos de outro baiano. Isaquias Queiroz conquistou três medalhas olímpicas no Rio 2016. Entretanto, o que poderia abrir as portas para o esporte na Bahia não gerou as mudanças que a atleta esperava. “Sempre tivemos uma boa amizade. Sempre trocamos ideias. Através dos resultados dele eu não vi melhorias para a canoagem no geral. Foi um grande feito no Brasil, mas o apoio não melhorou ao nosso esporte”.

Potencial tem de sobra. A medalhista panamericana é dada como a grande favorita do Brasil para conquistar medalhas em Tóquio. Ainda assim, a dificuldade para conseguir patrocínio atrapalha a caminhada. “O esporte no Brasil está difícil. Particularmente, pelo fato de eu ser mulher, pode ser que haja um preconceito. É bem difícil encontrar patrocínio. Poderia ser uma grande chance de competir pelo meu país, mas eu só vou se tiver apoio”, aponta.

Mesmo tendo que fazer vaquinhas ou parar os treinamentos para poder sustentar os filhos, Valdenice nunca pensou em deixar o seu sonho de lado. “Acho que a dificuldade é meu maior incentivo. Eu sei que um dia posso chegar longe, por isso nunca desisti”, concluiu. (BN)

 


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