Melhorar o atendimento médico e odontológico em Itacaré e ampliar os serviços de saúde para beneficiar principalmente àqueles que mais precisam. Foi com esse objetivo que a Prefeitura de Itacaré realizou no último sábado, no distrito de Taboquinhas, o mutirão Mais Saúde, com atendimentos nas áreas ginecologia, ultrassonografia, exames laboratoriais, eletrocardiograma, vacinação, atendimentos a gestantes, clínico geral, testes de glicemia, pressão arterial, nutrição, atendimento odontológicos e uma série de outros serviços.

O prefeito de Itacaré, Antônio de Anízio, explicou que a proposta desse trabalho é ampliar em mais um dia de atendimento médico, levando esse mutirão aos sábados para atender sobretudo os moradores da zona rural que durante a semana não tem como se deslocar para receber esses serviços. A proposta é de uma vez por mês realizar o Mais Saúde, inicialmente em Taboquinhas, mas posteriormente levando equipes para atender em outras comunidades da zona rural.

Além dos atendimentos foram também realizadas palestras sobre saúde da mulher, dicas de nutrição, acompanhamento de assistentes sociais, distribuição de preservativos e cadastramento do Bolsa Família. Também no mutirão Mais Saúde a Prefeitura de Itacaré iniciou em Taboquinhas e na zona rural o cadastramento e a distribuição de repelentes para gestantes incluídas no programa Bolsa Família. Os produtos combatem o Aedes Aegypti, pernilongos e outros mosquitos que também transmitem doenças. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Ricardo Lins, para adquirir os repelentes as gestantes devem estar cadastradas no bolsa família e preferencialmente estar fazendo o acompanhamento nos postos de saúde.

O prefeito Antônio de Anízio salientou que o mais importante nesse trabalho foi ver a satisfação do povo em estar recebendo um atendimento digno e agora bem mais próximo de suas residências. A dona de casa Marinalva dos Santos Costa, da região de Serra de Água, foi uma das primeiras a chegar e disse ter ficado satisfeita com o atendimento. Há meses ela precisava ir ao médico, fazer exames de rotina, mas não podia sair durante a semana. “Agora está tudo melhor”, disse ela. O trabalhador rural Ezequias Nascimento, da região de Rua de Palha, também foi fazer exames no mutirão e parabenizou a inciativa da Prefeitura pelo atendimento. “Fico feliz porque agora a gente tem a estrada boa pra vir para feira e ainda pode se consultar com o médico”, complementou. (Secom/Itacaré).


Aconteceu neste final de semana a II Etapa do Campeonato Baiano de Stand Up Paddle, II TAÇA SUPBA na na paradisíaca praia de Inema em Salvador. E mais uma vez os atletas de Itacaré deram um veredeiro show. Entre os atletas que se destacaram, David Leão que sagrou-se campeão da II Etapa do Circuito Baiano de Sup. Além dele vários atletas de Itacaré tiveram boa participação.

David Leão estará competindo entre os 04 e 07 de maio, na primeira etapa do brasileiro em Florianópolis na Praia Mole, o atleta tem grandes chances de também subir ao pódio e elevar o nome da cidade e do esporte.

Confira abaixo os atletas que fizeram bonito em Salvador.

Race Pro Open:

David Leão – Campeão

Thiago Dias – 3º. Lugar

Jadson Santos – 4º. Lugar

Race Pro Master

Alexandre Issami 3º. Lugar

Race Pro Gran Master

Sergio Luiz C de Oliveira – 3o. Lugar

Race Amador Open Masculino

Celson Medina – 3º. Lugar

Jonata Leão – 6º. Lugar

Race Amador Master Feminino

Isla Nanna – 3º lugar

Race Amador Gran Master Masculino

Paulo “Land” César – 4º .Lugar

Junior

Cauê Meneses – 2º. Lugar

Kids

Pedro Veiga – 7º. Lugar

Roberson Todorovic – 8º.  Lugar


Vem circulando nas redes sociais, uma imagem linda da Orla de Itacaré, em 1982. Na descrição da postagem, Alberto Alves e André Paglioli (surfistas, visitantes) caminhando logo cedo, da cidade até as praias, no inverno de 1982, quando ficaram hospedados na pousada da dona Heloína (Minha Tia Avó) Foto: Bruno Alves.

A imagem fascina pelos detalhes da época, a mureta da orla, e  a grande quantidades de árvores que vestia de verde o cartão postal da cidade.

Fonte: Facebook/ Cleandro Reis Júnior.


Com a proposta de buscar parcerias, investimentos e apoios para os eventos e obras em Itacaré, os secretários municipais de Turismo, Júlio Oliveira, e Desenvolvimento Urbano, Ademar Sá, participaram nesta quinta-feira, em Salvador, de reuniões com secretários e diretores de órgãos ligados ao Governo do Estado da Bahia. Na pauta de discussões estavam os projetos de Infraestrutura Turística para Itacaré, Festival Gastronômico Sabores de Itacaré, Campeonato Mundial de Surf, Programa Bandeira Sul, Qualificação Profissional, CADASTUR, Regulação dos empreendimentos Turísticos e controle de qualidade, dentre vários outros assuntos visando o incremento do turismo e o desenvolvimento da cidade.

O prefeito de Itacaré, Antônio de Anízio, explica que nesse momento de dificuldades em que se encontram os municípios brasileiros, a proposta é buscar parcerias e apoios importantes com órgãos e entidades comprometidos com o desenvolvimento e com o progresso. Ele informou que o município tem realizado com recursos próprios e através de parcerias uma série de eventos importantes que tem projetado Itacaré para o mundo, mas é preciso estar atento e buscar ampliar cada vez mais esses apoios. Também estão sendo realizados investimentos na cidade em infraestrutura e melhorias e buscado através de emendas parlamentares e de convênios viabilizar projetos importantes que vão não somente deixar Itacaré ainda mais bonita para os moradores e turistas, como também fortalecerá cada vez mais o setor turístico.

Nesta quinta-feira os secretários municipais Júlio Oliveira e Ademar Sá se reuniram com o secretário Estadual de Turismo, José Alves Peixoto Júnior, com o superintendente de Serviços Turísticos da Secretaria de Turismo, Jorge Dávila, com o Superintendente de Investimentos Turísticos, Rodon Vale, com o Diretor de Regionalização, Divaldo Borges e com o Diretor de Projetos, Carlos Taboada. Durante o encontro foram apresentados projetos já em andamento, eventos já confirmados que precisam de parcerias e as obras que serão iniciadas na cidade, reforçando a necessidade do apoio do Governo da Bahia nessas ações.


Como parte das comemorações ao dia Internacional da Mulher, A Prefeitura de Itacaré, através da Secretaria de Desenvolvimento Social, realizou na manhã desta sexta-feira, no Centro de Referência de Assistência Social (Cras), um dia de serviços, confraternização, informações e conhecimentos voltados para a mulher.

Com o tema “O Empoderamento feminino  e suas interfaces”, o encontro teve como principal objetivo promover o conhecimento das políticas públicas, bem como o busca dos direitos e valorização da mulher enquanto mãe, mulher, esposa e profissional.

 De acordo com a secretária de Desenvolvimento Social, Ivonete Damasceno, a proposta era não somente promover uma justa homenagem às mulheres, mas também de transmitir informações sobre seus direitos e deveres nas áreas de educação, social, saúde mental e fisiológica e segurança. Durante toda a manhã foram realizadas palestras abordando temas relacionados à realidade em que estão inseridas, visando proporcionar a sua melhoria da qualidade de vida. Também foram feitos testes rápidos de detectação do vírus HIV e também do diabetes, encaminhado os pacientes, nos casos constatados, para o tratamento e acompanhamento.

O dia em homenagem às mulheres foi iniciado com um café da manhã de boas vindas, seguindo com apresentações culturais, oficinas, apresentação das equipes do Cras, Creas e Peti, feita pela coordenadora da Cras, Fernanda Rosa, palestras, mostra de vídeos, dinâmicas com as assistentes sociais Juliana Novaes e Juliana Nascimento, e sorteios de brindes . Logo depois foi a vez da palestra sobre Saúde da Mulher, com a enfermeira Caroline Peluso Almeida. Também foram realizadas palestras sobre “Estreitando as relações e fortalecendo vínculos escola-mãe”, com a assessora do Ensino Fundamental I, Walderlúcia Viana, e “Direito do cidadão”, com a assistente social Fabiana Rosa. Outro assunto abordado durante o encontro foi Violência contra a Mulher, com a tenente PM Mariana e a sub-tenente PM Marilene.

O encerramento foi no final da manhã com dinâmicas e apresentação do vídeo “Mulher Nordestina”, do poeta Bráulio Bessa. Para as participantes do encontro, o evento foi uma oportunidade de conhecer mais sobre os serviços oferecidos pela Secretaria de Desenvolvimento Social em Itacaré e conhecer melhor sobre seus direitos, além de se sentirem ainda mais acolhidas e valorizadas. Participaram do encontro mulheres de 14 a 75 anos. (Assecom/Itacaré)


O prefeito de Itacaré, Antônio de Anízio, firmou convênios com o Instituto Capacitação Educacional e Formação (ICEF) que assegura descontos de até 30% para servidores e familiares na Unifacs em cursos presenciais e semipresenciais de graduação, especialização, mestrado e doutorado. A proposta, segundo destacou o prefeito, é possibilitar a todos o acesso ao ensino superior e demais especializações, garantindo profissionais muito mais qualificados e capacitados.

A expectativa é de formar em Itacaré turmas nos cursos de graduação, pós-graduação e mestrado nas mais diversas áreas, a exemplo de administração, ciências contábeis, serviço social, letras, matemática, pedagogia, gestão ambiental, gestão de recursos humanos, gestão hospitalar, gestão pública, marketing e diversos outras formações. As aulas no sistema semipresencial serão ministradas uma vez por semana em Itacaré, através de uma parceria firmada com a Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Educação. As inscrições para o processo seletivo já estão abertas através do telefone 3617-2154.

Além de Itacaré, o prefeito Antônio de Anízio, enquanto presidente da Associação dos Municípios da Região Cacaueira (Amurc) firmou convênio com o ICEF para que outros municípios também sejam beneficiados com o desconto e com as oportunidades de ampliar seus estudos. O sistema semipresencial através educação à distância a flexibilidade para estudar onde e quando puder, mensalidades acessíveis, aulas uma vez por semana e cursos reconhecidos pelo Ministério da Educação.

A diretora presidente do ICEF, Selma Lino, explica que uma das vantagens é que nesse instituto os docentes são mais que transmissores de informações, mas também facilitadores/mediadores do processo de ensino aprendizagem. “Nossos professores incentivam os alunos a autodesenvolver-se de forma crítica e criativa visando o Aprender. Com postura ética e competente estão comprometidos com a qualidade da educação superior”, revela. (Assecom/Itacaré)


A primeira vez que fui, ou pelo menos tentei ir a Itacaré, foi em julho de 1976, numa viagem de Brasília que fiz acampando até Salvador, com os amigos Armando, Marcelo Diniz e Fernando Mesquita.

Logo que saímos da BR-101 rumo a Itacaré, na região de Ubaitaba, sentimos de cara a dificuldade que seria aquela estrada, pois além de lamacenta, era cheia de buracos. Depois de rodar uns 25 quilômetros do total de cem, fomos obrigados a desistir devido à precariedade do terreno, e dali voltamos e seguimos para Salvador, onde acampamos no Jardim de Alah. Que triste escolha.

No fim de janeiro de 1978, vindo de uma longa viagem que se iniciou em São Paulo, donde seguimos até Belém do Pará e viemos descendo todo o litoral Norte e Nordeste, resolvemos enfim explorar Itacaré. Vindo de Salvador, passamos o ferry boat de Itaparica ainda à noite e clareando o dia numa manhã chuvosa. Estávamos muito cansados, e ali estacionados no acostamento BR-101, na região de Ubaitaba, ficamos pensando se valia a pena ou não arriscar, pois na verdade nunca ouvimos falar nada sobre Itacaré, a não ser no mapa.

Decidimos, depois de um debate no carro, pegar a estrada, se é que aquilo poderia ser chamado de estrada. Logo no início, notamos que seria arriscado danificar o carro, pois além de muita costela no terreno, a trilha possuía áreas extremamente lamascentas, que lembrava um rally do Camel Trophy, mas dessa vez seguimos em frente sem desistências.

Quando chegamos a Taboquinhas, um povoado a 50 quilômetros da BR, sentimos um alento, pois pensávamos ter chegado na tal Itacaré, mas que nada, ainda faltava muito chão. Enfim conseguimos concluir os 100 quilômetros e chegamos numa pequena cidade nativa, à beira da desembocadura do rio das Contas, numa manhã nublada, por volta das oito horas. Parecia que chegamos a alguma aldeia de algum país africano, ao estilo Serra Leoa, ou algum país exótico.

A maioria da população era negra, os trajes e costumes realmente lembravam o continente de onde vieram a maioria dos antepassados daquela gente. O cheiro eu me lembro até hoje, uma mistura de maresia com temperos e frutas, pois logo na chegada da povoado, ficava o mercado onde se aglutinavam grande parte das pessoas.

Participávamos da viagem eu, meu irmão Alberto, Ronaldo Clark Kent e Fernando Mesquita, e logo que chegamos à muvuquinha, saímos do veículo e formos observados por todos, que nos olhavam como se fôssemos seres de outro planeta. Compramos algo para comer e perguntamos para alguns nativos onde era a praia. Eles nos indicaram uma pequena estradinha de terra e por ali seguimos rapidamente.

No meio de uma mata, e mais lama, seguimos essa estrada que culminou em uma praia chamada Tiririca. Quando paramos o carro de frente ao mar, olhamos atônitos. Foi um dos maiores choques de minha vida surfística: as ondas estavam over head, a água clara, quase azulada (o que é raro ali), o mar estava liso que nem uma gelatina e as ondas rodavam para os dois lados, tubos e mais tubos, sem qualquer pessoa na praia. Cena de filme “Endless Summer”.

Havia na praia um senhor chamado Seu Salvador que era visto pelas pessoas como um lobisomem. Lendas à parte, ele foi o nosso amigo durante esse período. A nossa alegria foi tanta, porque apostamos no incógnito, e depois de mais de 40 dias de viagem e cansados, estávamos sendo recompensados com ondas de sonho, num cenário tropical envolvido por muita floresta, calor, sem crowd. De tanta ansiedade, não conseguíamos nem tirar as pranchas de cima da capota, e entre cada gesto para retirar os elásticos no rack, nos abraçávamos e pulávamos que nem doidos varridos. Seu Salvador observava aquilo e não devia ter entendido nada.

Partimos para água, quente e transparente, deixando toda aquela bagunça na Kombi, e nos lançamos no outside, onde pudemos sentir a potência daquelas ondas e pegar muitos tubos secos, fora o visual do lugar, um paraíso. Sonho dos sonhos. A cada canudo que eu pegava e saia, gritos ecoavam, gritos de surfistas guerreiros, na conquista de um novo spot, que anos mais tarde se tornaria um dos mais conhecidos de todo o país.

Ficamos em Itacaré por uma semana surfando sozinhos, sem algum surfista na água, ou fora, sendo os únicos turistas em Itacaré, isso em pleno verão. Dormíamos dentro do carro na Tiririca, debaixo de uma construção velha e abandonada, e comíamos por ali mesmo cozinhando, ou em casa de nativos. Vivemos ali dias mágicos, com pessoas mágicas, ondas mágicas, vida simples, tubos quadrados, num local que o mundo do surfe não conhecia.

?Seguimos para Ilhéus depois dessa semana de sonhos e ali encontramos os nossos grandes amigos, os irmãos Argolo. Falamos das ondas de Itacaré e resolvemos voltar de novo para apresentar o pico a eles. Paulistas apresentando secret baiano aos baianos, é mole?

Voltamos dessa vez por outro caminho, via Uruçuca, donde saía uma outra estrada, muito pior que a primeira, e que cortava por dentro da selva, mas a Kombi e o motorista já estavam tarimbados para mais esse desafio que foi superado ao chegar novamente a Itacaré. Já era fevereiro e estávamos em pleno Carnaval, e de novo nós ali, os únicos surfistas e turistas da cidadezinha.

Descobrimos depois que havia mais um surfista na cidade que ficava na segunda praia, depois da Tiririca, com a sua mulher vendendo artesanatos. Tratava-se de Ronaldo Fadul, um baiano de Salvador que surfava muito bem e ficou nosso amigo. Ele também ficou espantado com a gente, e lembro de termos surfado muitas ondas naquele período. Outro surfista de Ilhéus, um veterano chamado Washington Soledade, já frequentava o pico nessa época, e pudemos em outra ocasião conhecê-lo. Posso dizer que foi um dos carnavais mais tops de toda a minha vida.

No mesmo ano, no inverno, retornei a Itacaré com o meu irmão, uma namorada e o Clark Kent, numa viagem que fizemos a Maceió. Pegamos altas ondas de novo, vivemos o sonho da Tiririca. Colocamos a Kombi na velha garagem, de frente à praia, e ali estabelecemos nosso lar. Como era julho, conhecemos outra Itacaré, clima mais frio, ondas maiores e mais potentes com a água mais escura, devido às cheias do rio de Contas. Já havia alguns surfistas de Jequié no pico, mas absolutamente sem crowd, pois eram surfistas que ficavam 10 minutos na água.

Na volta dessa trip, decidimos seguir por uma outra estrada, a estrada costeira, muito esburacada e cheia de declives e lama. Foi uma luta, mas conseguimos chegar depois de muito custo em Serra Grande, onde surfamos até o fim da tarde. Para não sofrer mais naqueles buracos, resolvemos ir pela areia até Ilhéus, pela praia do Norte, que tem muitos quilômetros. Já era noite e chovia tempestuosamente, e a cada rio que cruzávamos, eu achava que não sairíamos dali. Graças a Deus chegamos a Ilhéus depois de uma longa viagem de seis horas que hoje não se gasta mais que uma hora.

Voltei dois anos depois, início dos anos 80, só que de ônibus, em julho de 82, com André Paglioli e meu irmão. Partimos da rodoviária do Tietê, em São Paulo, pegamos três trechos – o primeiro de São Paulo a Ilhéus em 36 horas, depois de Ilhéus a Uruçuca, e o terceiro de Uruçuca a Itacaré. Nesse trecho, o ônibus era precário, os passageiros muito humildes, e os buracos faziam aquele ônibus parecer uma máquina de lavar roupas.

E o pior é que estava rolando o jogo do Brasil com a Itália, que perdemos por 3 x 2. Era Copa do Mundo e os passageiros acharam que a gente era da Itália, eles nunca viram um turista. Tudo pelo radinho de pilha. O clima no bus era de tristeza pela derrota, mas a hora em que saí e coloquei os pés em Itacaré, fiquei tão feliz por voltar à nossa África particular, e nada no mundo poderia ser melhor. Até esqueci da derrota do Brasil.

Dessa vez não tínhamos a komboza para dormir, então ficamos hospedados em um quartinho, no fundo da casa da dona Heloína, próximo ao rio de Contas, e ali ficamos quase um mês, tomando banho frio e andando todas as manhãs da cidade até a Tiririca, sempre com uma parada para comer um mingau de tapioca no caminho. Surfamos picos diferentes como os Corais, Boca do Barbudo, Prainha, Ribeira, São José e outra praia depois do rio de Contas, no caminho de Barra Grande.

Para a nossa surpresa, chegou o primeiro crowd na cidade. Eram surfistas do Guarujá, o Xan e Murilo Brandi, Luizinho, Beto Mattos e o Rony Figueiredo. O baiano Ronaldo Fadul já morava na cidade, não vendia mais artesanato e tinha comprado terras, acho que virou fazendeiro, e ele já era o verdadeiro local do pico. Na verdade ele era de Salvador. Os verdadeiros locais nativos surgiram e ficaram nossos grandes amigos, o Caneta e o Luciano. Com eles exploramos várias praias ali e pegamos boas ondas juntos.

Como ficamos um bom tempo, pudemos conhecer melhor a região, explorar os rio de Contas, os manguezais com seus caranguejos vermelhos, as fazendas de cacau, comer maçã de coco, mel de cacau, andar por costeiras e florestas, conviver com os nativos, e quase comprei um terreninho por lá. Nada era melhor do que ficar de boa, deixando o tempo passar de frente à orla do rio de Contas no fim de tarde, na maré baixa, observando a criançada pegando siri, as peladas dos pescadores nativos, todo aquele caleidoscópio afro-brasileiro.

Depois dessa viagem, retornamos algumas vezes ainda nos anos 80, uma com o Jojó de Olivença e os grandes irmãos Argolo, quando eles nos apresentaram Itacarezinho, Jeribucaçu e Engenhoca; outra já nos anos 90, com o Alfio da Hang Loose, e a última em 2007, quando fui de carro até lá com a minha mulher e os meus filhos, mas infelizmente já era outra cidade, com dezenas de pousadas, hotéis, estrangeiros de toda a parte, e muito, mas muito crowd na água.

Bruno Alves relata aventuras para Itacaré nos anos 70 e 80 escrito no Waves